Neymar eleva patamar e ajuda PSG a ser um grande na Europa

No bar do Japa, lá na Maestro Cardim, todas as TVs estão ligadas para ver o jogo do PSG. Ou melhor, ver Neymar em campo. Por trás dos balcões, os funcionários se entusiasmam a cada vez que ele pega na bola.

Vibram, com sotaques de vários lugares do País, do Nordeste ao Sudeste, como antes fariam com Garrincha, Nilton Batata, Palhinha, Sócrates, Zico, Adílio, ou qualquer craque que jogasse no Brasil.

De classes sociais mais humildes, manifestam apoio a ele. Ficam revoltados com os que o chamam de “cai-cai”. “Ele apanha pra burro e ainda leva a fama”, desabafa um deles, enquanto pega o troco no caixa.

Já que o futebol se globalizou, Neymar ainda simboliza, para esses brasileiros, a ideia de ascensão e do ídolo que os representa. É que, ultimamente, eles estão sendo pouco ouvidos, em um futebol cada vez mais direcionado aos abastados.

O que mais se vê na mídia é uma postura cética em relação a ele. Neymar não pode fazer isso, não pode fazer aquilo. Chamá-lo de “babaca” ou “imaturo” virou lugar comum. Um ceticismo blasé, típico de parte da sociedade francesa, tem assolado um setor significativo da imprensa brasileira e das redes sociais.

Os próprios franceses, em grande quantidade, veem Neymar de forma presunçosa.

A cultura francesa, em alguns aspectos, é bem assim. Conflituosa. Invejosa. Hipócrita. Não aceita a criatividade de outros países.

Correntes psicanalísticas, por exemplo, tentaram fazer do país o berço da psicanálise, como se ela não tivesse sido praticamente criada pelo austríaco Sigmund Freud e seus seguidores locais.

O mesmo país da liberdade, igualdade e fraternidade é um dos berços atuais do antissemitismo. Dos imigrantes renegados.

A mídia local faz questão de ser rígida demais em relação às atuações de Neymar. Flerta com o cinismo e com a ingratidão.

Até quando ele joga bem, há uma ponta de contrariedade, que esconde uma dose de inveja. E que acaba deixando de lado uma evidência, cada vez mais clara.

Neymar, indubitavelmente, foi fundamental para elevar o PSG a outro patamar. Em termos de visibilidade, em termos de interesse, a equipe é uma com ele e outra sem ele. Graças ao brasileiro, um jogo do time parisiense contra o Real Madrid, por exemplo, se tornou um clássico. O PSG “engrandece” quando ele joga.

Enquanto Neymar é criticado por seus excessos (alguns que realmente o prejudicam), as cifras do clube vão crescendo cada vez mais com sua presença.

Na última semana, o PSG ultrapassou o Manchester City e se tornou a agremiação com maior poder financeiro do mundo, segundo relatório anual da Soccerex. O crescimento do PSG em relação a 2019 foi de 20%.

Não importa que o coloquem fora da lista dos maiores da história do clube. Não importa que ele seja alvo de críticas, que ele atraia hostilidades, que muitos não aceitem seu estilo.

Apesar de tudo, a evidente importância dele para o clube só será realmente formalizada se o PSG for campeão da Champions.

O mundo atual vive mesmo um momento difícil, movido por ódios, arrogância e intolerância. Sem uma conquista inédita, toda a sua importância será reconhecida apenas parcialmente.

De qualquer forma, Neymar, com seu futebol solto e criativo, ainda representa os que o admiram nos bares e nas periferias do Brasil. E que deixaram de ser ouvidos.

Neymar leva pontapés, ouve críticas, desfere socos. Erra, acerta, joga muito. Justamente por sua vida intensa, Neymar virou o jogo para o PSG fora de campo, como um excelente negócio. O maior de todos. As emoções que ele desperta geram lucro. O mundo atual, afinal, também vive de dinheiro.

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